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Palavra do Diretor

 
Prof. Ivan Renner
Diretor Geral do Colégio Sinodal
 

“A sorte está lançada” (?)

Ano novo: novos governos tanto nos Estados como no País, ministérios mais enxutos, técnicos e não partidariamente fatiados, com intenções propositivas de Reforma Tributária, Reforma Previdenciária, Proposta Econômica Liberal e Enfrentamento da Criminalidade. Esses, entre outros, são alguns dos temas prioritários que estão na agenda de Brasília. Porém, como se sabe, os dois maiores desafios iniciais serão a Aprovação da Reforma da Previdência e, depois disso, ou concomitantemente, o Controle da Corrupção e da Diminuição da Violência. Como se diz por aí: “O Brasil é um país maravilhoso, mas ninguém mais aguenta!”.

Como acontece com todos os governos democráticos que são empossados, há sempre uma esperança renovada por parte da população brasileira. Por quê? Porque a tarefa do Estado Político é encontrar o equilíbrio. Como assim? É garantir proteção aos mais fracos, dar liberdade de ação aos mais talentosos e melhores condições para aqueles que pretendem empreender, sem, contudo, garantir privilégios a nenhum deles.

Isso é complicado, porque o Brasil infeliz e historicamente sempre foi um país de desigualdades e de privilégios. Sempre se achava que “os poderosos” passavam ao largo da lei. Contudo, agora, de um tempo para cá, estamos não só percebendo, mas vendo que o braço da justiça está alcançando a muitos e invariavelmente.

Para onde estamos indo e como iremos daqui para frente, não sabemos exatamente.

Lembro sempre da célebre frase proferida por Júlio César, quando decidiu cruzar com as suas legiões o Rio Rubicão, no norte da Itália: “Alea jacta est” ouA sorte está lançada”!

 

O Sinodal, desenvolvendo-se e atualizando-se em tempo razoável

Não é de hoje o pensamento de que não há outros e melhores resultados se as ações são sempre as mesmas, por isso o estudo e a atualização permanentes, principalmente em se tratando de escola e de professores, são condições sine qua non, indispensáveis e fundamentais.

Portanto, se quisermos melhorar a nossa qualidade na educação, como todo ano fazemos, é redundante dizer: necessariamente devemos melhorar as nossas estratégias pedagógicas.

Pelo fato de Heráclito, pensador e filósofo pré-socrático, 5 séculos a.C., ter nos ensinado que uma pessoa ao entrar duas vezes num mesmo rio, na segunda, não será mais a mesma e nem o rio tampouco será, é absolutamente concreto e perceptível, sem contestações para nós, que vivemos em tempos tão altamente mutantes.

Por isso, quem sabe, precisamos nos perguntar, não a partir do e pelo ideal ou pelo sonho, mas sim pelo razoável e pelo possível; porém, sem nunca perder do horizonte o necessário e o possível. Sim, construir e atualizar continuamente o Sinodal por um tempo razoável, eis o nosso desafio e o nosso compromisso como educadores com uma qualidade atualizada. Em outras palavras: fazer com que a proposta pare e fique de pé durante um determinado tempo.

Para conseguirmos positivar essa proposta, é preponderante que, continuamente, discutamos a ética, porque ela é a própria discussão da moral, a discussão dos costumes e dos valores. Para tal, é necessário ter coragem e, volta e meia, colocar os grandes temas, as questões mais brutais, em cima da mesa, e discuti-los de maneira responsável e profunda. Aí deverá ou poderá surgir a forma, a maneira hábil, gentil, aprofundada e convincente! Nesse sentido, vale lembrar que, com essas habilidades, surge o líder necessário para os tempos atuais, o qual o Sinodal quer formar, cada vez mais e melhor.

Não é de hoje a conclusão de que antigamente a socialização era aprendida na família, a culturalização na escola e a moralização na Igreja.  Hoje temos a família dividida e a Igreja esvaziada. Parece que tudo ficou para a escola! Como dar conta de tudo? Ao nosso ver, os pais, mesmo separados, permanecem com a função da socialização, i. é, uma suposta separação ou divórcio entre um casal não o autoriza ao desleixo e à irresponsabilidade para com os seus filhos. A Igreja, na medida do possível, deveria continuar com as questões da espiritualidade, da moral e da ética. Dessa forma, a tarefa da escola ficaria mais suave e mais pronta para uma boa e sustentável base cultural e educacional.

 

Um olho no presente dos professores e o outro no futuro dos alunos

Hoje se reflete muito, no contexto educacional, sobre habilidades e competências e quase tudo é planejado a partir disso. Ok, é isso! Porém, nunca se deve esquecer que o nosso aluno será um profissional daqui a alguns anos.

Segundo Pierre Lévy, filósofo, sociólogo e pesquisador, que estuda o impacto da internet na sociedade, entre outros temas importantes: “Pela primeira vez na história da humanidade, a maioria das competências adquiridas por uma pessoa no início de seu percurso profissional estarão obsoletos no fim de sua carreira.

Nesse contexto, o conhecido e muito reconhecido sociólogo polonês, falecido em 2017, Zigmunt Bauman, falando sobre a realidade líquida, também sempre nos trazia o conceito de que o conhecimento é cada vez mais volátil e flexível. Por isso fica para nós a pergunta:

Como um professor poderá mediar e articular a construção de saberes, se ele próprio não acompanha as mudanças ou não age reflexivamente na sua prática pedagógica?

No Sinodal, para enriquecer a atividade docente, o processo formativo sempre está presente, organizado e conduzido pelas coordenações pedagógicas. Isso já existe há bastante tempo, e, por isso mesmo, é um pressuposto básico e normal para todos os professores. Por quê? Se o conhecimento e as perspectivas contemporâneas são tão incertas, precisamos ter professores cada vez mais capazes de modificar e atualizar as suas práticas pedagógicas.

Então, qual é a nossa meta para, por exemplo, 2035 ou 2045? Essa pergunta deveria estar sempre ao nosso alcance num horizonte a ser sempre vislumbrado. E, portanto, deveria nos motivar constantemente, ano a ano, para buscar respostas, mesmo que abertas, haja vista que o planejamento deve ser, como já foi dito, dentro de um tempo razoável e não tão longínquo.

Nesse contexto, sem sombra de dúvida, ensinar a pensar deveria ser um dos motes principais e permanentes, além de uma formação conceituada e atualizada de liderança. Para isso, portanto, não deveria faltar tempo.

 

O impacto das Inovações e das Tecnologias na Educação

É redundante dizer que as inovações tecnológicas, que impactam a educação, já não são mais novidade, tanto didaticamente falando, como no específico da robótica, etc. Contudo, em se tratando de tecnologia, urge que avanços permanentes sejam feitos.

Nesse sentido, trago à baila as contribuições de Paulo Blikstein – professor da Universidade de Stanford, EUA, e, por isso mesmo, um dos maiores especialistas em tecnologia aplicada à educação – que apontam para nós, educadores, um norte.

Não é novidade para ninguém que, nos últimos tempos, a tecnologia subiu pelo elevador, enquanto que as práticas pedagógicas subiram, passo a passo, pela escada.  Em suma, o nosso processo de aprendizagem está acompanhando essa mudança pari passu, mas um tanto comedidamente.

Para mudar esse cenário, o especialista diz que “a escola deve ser menos local de repetição e mais de criação”. Isso entra muito mais em sintonia com o que os “nativos digitais” hoje vivem e dominam. Eles, desde cedo, têm o contato com a informação por meios dispositivos. Porém, o que lhes falta é justamente um local que os ajude a transformar essas informações em conhecimento.

Para dar efetivação a essas ideias surge, cada vez mais, o plano de mudar a arquitetura das salas de aula: ter ainda as salas de aula normais, mas, ao mesmo tempo, também ter salas de aula invertidas e salas maker, nas quais os estudantes são motivados a serem mais protagonistas e saírem mais do posto de meros ouvintes para passarem a criar mais, por meio da implementação de atividades de aprendizagem em ambientes educacionais específicos, que possibilitem “mão na massa”.

O mesmo especialista, em seus últimos estudos, chegou à conclusão de que quando alunos realizam experiências, antes de serem submetidos à teoria, a chance de aprendizado aumenta em 25% e finaliza destacando:

- “O fazer é método de ensino mais democrático do que as formas tradicionais”.

Para nós, pode até parecer um contrassenso ou um certo disparate ver que as crianças e os jovens, que são os “nativos digitais”, também gostam de ações pedagógicas mais práticas. Em resumo, eles gostam de ser estimulados ao “fazer”. Por quê? Porque veem e percebem sentido nisso, principalmente porque as informações que existem podem ser canalizadas em conhecimento prático e aplicável.

Contudo, ele dispara uma observação importante:

“Cerca de 80% dos chamados ‘nativos digitais’ sabem mexer em dispositivos, mas, desses, apenas 50% conseguem criar algo, como um brinquedo, um filme”, etc.

Olhando em direção a um futuro bem próximo, ele afirma o que parece lógico: “as habilidades da criatividade, da programação e da habilidade computacional estarão, cada vez mais, presentes nas competências que serão exigidas”.

Ficam, então, as perguntas: 1) como podemos fazer para que o “maker” faça, mais e mais, parte das bases e dos componentes curriculares? 2) Será que esse é um desafio que deverá nos mover mais daqui para frente?

Sinceramente, penso que a pergunta primeira deveria ser:

Como eu posso melhorar o que eu já faço bem, utilizando mais meios tecnológicos e de inovação para que o aluno seja mais motivado a ser mais protagonista de sua aprendizagem significativa?

No fundo, o que se quer? Almeja-se que os alunos, a partir disso, resolvam ir além, como já acontece em vários projetos interessantes no Sinodal.

Em outras palavras, há muito tempo, a invenção da ESCRITA foi a solução para superar a mera transmissão oral e a memorização do conhecimento. Hoje, estamos num momento semelhante, em que a informação é derramada por toda a parte e em todo o lugar. Porém falta a construção adequada do conhecimento, através do FAZER. Ou melhor, é necessário criar mais oportunidades para que os alunos se engajem mais e se apaixonem mais pelo saber.

Diga-se de passagem, e com propriedade pedagógica, não só as atividades “maker” podem fazer isso, mas...

... as artes, nas suas salas específicas;

... o teatro, em sua sala ou no palco;

... a música, na Casa da Música e nas salas próprias;

... as ciências, nos seus laboratórios, nas pesquisas para a Multifeira, no aproveitamento do espaço externo do colégio e nas viagens de estudo;

... o esporte, nos seus ginásios e nas competições;

... as linguagens, nacional e estrangeiras, também nos seus espaços bem especiais;

... os alunos do Bilíngue, em ambientes externos do Sinodal;

... os alunos da Brinquedoteca e do Integral, desenvolvendo muitas atividades manuais e domésticas;

... as aulas de artes, com várias atividades muito envolventes;

... as humanas, com as suas viagens de estudo, etc. e tal.

Tudo isso mostra que nós já estamos em meio a uma caminhada bem “maker”, mas que pode e deve ser ampliada e melhorada.

A Revista “Educação em Revista”, de abril 2017, publicada pelo Sinepe/RS, sob o título Recursos Digitais para ajudar em sala de aula, entre várias experiências, também publicou o relato de nossa Profa. Viviani Bastos, na pág. 11, onde consta:

“Nas aulas de Biologia, no Colégio Sinodal, de São Leopoldo, com as turmas do Ensino Médio, a professora Viviani Bastos adotou a ferramenta italiana online Kahoot, que permite a criação de testes, quizzes ou pesquisas. Os alunos respondem a partir de smartphones ou outro dispositivo móvel conectado à internet... É uma ferramenta dinâmica e fácil de usar, afirma Viviani.”

 

A Gentileza como elemento fundamental no processo formativo da humanização

Em meio a todo o arcabouço de atualização permanente e projeção futura que o Sinodal exercita de ano para ano, importa para o mesmo Sinodal, que os alunos aprendam a construir relações humanas com valor e, para tal, também a valorizar o poder da simplicidade. Isso pode parecer frívolo ou de pouca importância, mas não é!

Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço, que fundou a psicologia analítica e que desenvolveu os conceitos de personalidade extrovertida e introvertida, certa vez disse:

- “A sua visão só ficará nítida quando você começar a ver com o coração.” Até parece Saint Exupery, no Pequeno Príncipe...

Em outras palavras, quem olha para fora sonha; quem olha para dentro desperta.

Por vivermos num mundo agudamente conturbado, problemático e permeado por uma visão bastante negativa, muita gente flutua como se estivesse em botes sem remos, almas cansadas, procurando um farol que os impeça de bater nas pedras da encosta.

Nesse processo de formação integral, para nós, como Sinodal, está cada vez mais claro que precisamos refletir sobre que mundo nós queremos para agora e para daqui a pouco.

O grande Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido, durante a Segunda Guerra, corroborando com essa ideia, dizia:

- “O preço da grandeza é a responsabilidade sobre todos os seus pensamentos.” Por isso, temos para conosco, que uma visualização positiva e criativa é fundamental, sobretudo, para crianças e jovens que estão num processo geral de formação. Não é de hoje que sabemos que a mente funciona muito bem através do estímulo de imagens e nem precisamos dizer que imagens negativas se constituem geralmente em “veneno”.  Com toda a certeza, se os alunos aprenderem que o sucesso futuro deles dependerá de propósitos que contenham um ou vários significados - sobretudo, propósitos positivos - o seu engajamento será bem diferente.

A título de ilustração, no ano passado, em uma sala de inglês do 7º ano do EF, a Profª Vera Flores, motivada por um site no YouTube, denominado Life Vest Inside – Kindness Boomerang – “One day”, Gentileza Bumerangue, trabalhou com os alunos o significado do gesto humanitário da gentileza e a necessidade da constituição do hábito de ajuda ao próximo, não de maneira esporádica, mas de maneira espontânea e permanente, como gesto de vida.

É desnecessário dizer que, nesse contexto, já está toda a educação formativa do Sinodal em relação ao cuidado que todos nós - professores e alunos - devemos ter, mais e mais, no que se refere à sustentabilidade e ao cuidado em geral para com a nossa “grande casa”, onde vivemos e aprendemos.

Esse pensamento, que sempre esteve presente no Sinodal nas mais diversas disciplinas e áreas, bem como nas meditações diárias foi, dessa vez, novamente avivado de maneira mais intensa. Também nas reuniões do CTAP tudo foi detidamente refletido. As coordenações pedagógicas ficaram de reestudar tudo e verificar como isso poderia ser transformado em uma ação coletiva pelo Sinodal afora e, a partir disso, nossa assessoria do MKT, Mauro Blankenheim, gerou e trouxe a ideia do “Ser Sinodal”, com a criação de bótons, dizeres nas escadarias, etc. As reflexões mais aprofundadas foram igualmente esmiuçadas nas meditações pelo Pastorado Escolar e nas salas de aula pelos professores. Dessa forma, tudo virou um interessante projeto que, neste ano, ganhará ainda maior e melhor forma neste Plano de Direção.

Oxalá, que toda a coletividade do Sinodal, desde a direção até os funcionários, faça desse propósito vivo de viver uma forma cada vez melhor de viver e de conviver. Desse modo, com toda a certeza, poderemos colher boas e respeitosas relações de amizade e companheirismo; como aliás, já foi constatado pela Pesquisa do Great Place to Work, no ano passado. Contudo, acredito que ainda há espaço para que esse Place, que é o Sinodal, melhore ainda mais.

 

Prof. Me. Ivan Renner

Diretor Geral